domingo, 8 de janeiro de 2017

[TEXTO] Acumulados de memórias

Demorei pra aceitar que as pessoas nos deixam memórias. É claro que ela lembra dos momentos que passou com você, não dá pra deletar as lembranças nem dos piores deles, assim ela escolheu manter os bons como prioridade. Você deve se lembrar daquela noite em que ela chorou nos seus braços e do dia em que ela finalmente riu de uma de suas piadas mais bobas, assim como ela lembra do dia em que partiu seu coração em pedaços que você jamais imaginava que teria.
Eu nunca entendi como nós conseguimos fazer planos sobre o futuro e no dia seguinte cuspir um na cara do outro coisas que não nos dizem respeito. Damos importância a meros detalhes em vez de cultivarmos o verdadeiro amor, engrandecemos o orgulho simplesmente para estarmos em paz com nosso próprio ego porém sempre em confusão com os desejos da nossa alma. Nos iludem com a fantasia de um romance perfeito onde demostrar afeto é sinal de fraqueza e choramos sozinhos a falta de pessoas reais ao nosso redor.
Essa coisa sobre as lembranças e sobre como de um dia pro outro alguém essencial em nossas vidas deixa de fazer falta, sempre me incomodou. Porque apesar de não sentir mais nada, nós sempre nos lembraremos dos muitos momentos em que estivemos felizes ao lado de pessoas que nos fizeram sorrir e chorar na mesma proporção.
É claro que eu lembro da minha melhor amiga de 7 anos atrás, eu também lembro do dia em que olhei meu primeiro amor nos olhos e quis dizer que eu o amava mas por saber que não seria recíproco eu escolhi guardar pra mim, eu lembro do meu primeiro beijo e como eu achei mágico, lembro do meu primeiro dia no emprego e como eu quis sair correndo, lembro de quando eu conheci meu ex e como mudamos ao longo do tempo. Somos todos um acumulado de memórias e eu me sinto muito feliz em saber que minha melhor amiga de 2010 está se amando mais e que meu primeiro amor ainda continua sonhando, apesar de achar uma lástima o nosso distanciamento. Hoje eu acho meu primeiro beijo uma droga e ainda quero correr quando chego todos os dias no trabalho. E sou grata por todos esses momentos que, por mais que às vezes eu implore pra deletar, fazem parte do que sou hoje.
Depois que eu aceitei que as pessoas nos deixam memórias eu voltei a me encontrar. Somos todos nós mesmos com pequenas doses de amor, afeto, rancor, tristeza, alegria e outros emaranhados de sentimentos que os amigos e amores nos regaram e cultivamos.

(Jenifer Alana dos Santos)

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