segunda-feira, 19 de junho de 2017

[TEXTO] Sobre minha razão da atual felicidade

Já sentiu um aperto no peito que você não sabe explicar de onde veio?
Eu muitas vezes faço a ligação desses apertos com coisas ruins, maus pressentimentos etc, mas aos poucos estou começando a entender que alguns medos precisam ser sentidos quando você sabe que depois de ultrapassá-los a felicidade estará esperando por você.
Lembro-me das vezes em que atribuí ao destino alguns acontecimentos da minha vida, porque eu nunca fui capaz de reconhecer meu mérito nas decisões que tomei. Em certos momentos eu me culpei pelas más decisões mas parei para perceber agora que eu nunca me agradeci pelas boas. É claro que a felicidade não é só uma obra minha, assim como as tristezas, e isso é preciso ser dito.
Nem tudo que acontece na vida é inteiramente culpa de alguém, algumas coisas são apenas consequências.
Grande parte da felicidade que aparece as vezes pode ser atribuída as pessoas a nossa volta, com quem dividimos nossa energia, mas nunca agradecemos a elas. Já quando se trata das desventuras, sempre corremos atrás de algum culpado. Faz parte da vida reconhecer que nem tudo depende de nós, por isso devemos ser gratos a qualquer acontecimento já que não sabemos aonde estes nos levarão e a qualquer pessoa que passe pela nossa vida, pois de alguma forma ela trará algo de bom, mesmo que não sejamos capazes de perceber de imediato.
Eu continuo sem justificativas para muitas perguntas que me rodeiam - e hoje sei que não preciso necessariamente delas, e apesar de tudo que tenho visto ainda tenho esperança de dias cada vez melhores pois eles estão de fato melhorando. Essa é a parte em que a vida começa a ter valor e sentido quando eu achava que não haviam porquês, essa é a parte onde eu agradeço por cada minuto de sofrimento, de mudança, de loucura, de dor, de desespero, agradeço por cada momento em que eu não sabia para que caminho eu deveria seguir. Foram todos os tropeços e caminhos tortos que me trouxeram a atual felicidade que muitos diziam passageira, mas que a cada dia aprendo a cultivar para que floresça cada vez mais.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

[TEXTO] Valor das Coisas

Algumas vezes eu me pego pensando em como não consigo entender as razões das ações de algumas pessoas, o mundo não é um lugar justo e não viemos até ele para julgar, mas sim para aprender e nos tornarmos pessoas melhores. É isso que eu busco, porém no dia-a-dia não consigo compreender como há pessoas que se desgastam e desgastam pessoas a sua volta; para mim, não me tornarei melhor enquanto não souber as respostas de muitas perguntas, como "por que ser estúpido gratuitamente?", "por que pessoas desperdiçam a vida enquanto outras buscam vivê-la plenamente" ou "como conseguimos fazer mal ao próximo sabendo do resultado de nossas ações?".
Eu assumo que não tenho controle nenhum do meu humor, mas eu gostaria de abrir um sorriso de bom dia todas as manhãs para as pessoas, pois sei a importância de transmitir boas energias. Também sei que as pessoas que sugam nossa energia muitas vezes o fazem inconscientemente por precisar mais que nós, talvez.
Fico feliz de saber que a vida tem me proporcionado muitos momentos de alegria apesar das minhas muitas maneiras de achar que a vida não tem sentido torcendo para que ela acabe logo. Isso não é justo pois sei que aí fora, nesse mundo enorme, existem muitas pessoas que dariam a vida por um vislumbre de felicidade. A vida não é justa.
Aprender com essas situações e enxergar as injustiças da vida me faz querer dar valor por tê-la. Eu sei que as coisas ruins não somem devido as boas, um limão não deixa de ser azedo só porque você colocou açúcar, entende? Mas se a vida lhe oferece um pote de açúcar, você bebe, dá valor, aprende a ser melhor e sabe que o mundo gira a todo momento, mas cabe a nós sabermos aproveitar cada grão de felicidade nos tempos bons e dar valor a eles nos tempos ruins.

(Jenifer Alana dos Santos)

domingo, 5 de março de 2017

[TEXTO] Sobre não saber

Hoje eu decidi escrever porque o céu está tão lindo e porque as estrelas me fizeram perceber que pequenas luzes são sempre grandes coisas. Fazia tempo que eu não parava pra olhar pro céu.
É mais cômodo escrever sobre incertezas, infelicidade, mágoa e afins, porque a alegria é um sentimento tão raro na minha vida que eu muitas vezes não sei lidar, ou expressar e muito menos dizer.
É foda lidar com a vida, com as confusões que ela nos coloca, porque às vezes um tropeço pode ser sua salvação. Eu me pego pensando algumas vezes em como um atraso pra sair de casa pode ter me livrado de ter sido atropelada, por exemplo, é bobo eu sei, mas não é louco como você nunca tem certeza de nada até que aconteça?
O fato é que eu sempre ando com um guarda-chuva aberto esperando pela tempestade mesmo que o céu esteja aberto. E toda vez que algo grandioso acontece na minha vida eu fico revivendo todos os passos que fizeram essa coisa toda acontecer, muitas das vezes dando mérito ao destino ou as reviravoltas da vida... É difícil acreditar que coisas boas acontecem comigo porque eu mereço e é difícil acreditar que essas coisas podem permanecer. Porque tudo que eu amei um dia ou foi embora ou me foi tirado, e tudo em que eu acreditava desapareceu como se não tivesse existido - assim como a felicidade, as pessoas, os momentos.
Ás vezes eu acho que me falta um pouco mais de coração, porque foram me levando em pedacinhos. E por mais que a felicidade  me rodeie, tem sempre um pingo de medo do lado dela; isso tudo porque eu sei que no final de tudo o que sobra são despedidas que a gente nunca sabe dizer porque muitas vezes não quer ir.
Mas ainda, apesar de todo o medo, eu me sinto tão leve, tão serena e a felicidade é tão presente que eu até me sinto estrela, guardando grandes coisas dentro de um brilhante sorriso; acreditando que um tropeço na vida pode não ter me livrado de um atropelamento, mas me colocou num sonho que vivo acordada, do qual eu espero não despertar tão cedo.

(Jenifer Alana dos Santos)

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

[TEXTO] Sobre bloqueios e inconstâncias

Tem dias que eu penso no quanto pesada fica a minha consciência guardando esse tanto todo de rancor, e eu acho às vezes que a minha memória precisa de uma formatação porque daqui uns dias ela vai estar superlotada, Eu queria tanto conseguir escolher e controlar minhas emoções simplesmente apertando um botão de on/off, as coisas seriam mais fáceis, porque é tão difícil esquecer aquilo que um dia machucou.
Minha amiga me trouxe notícias de um amigo do passado que acabou de ter filhos e eu fiquei chocada de saber que ele está casado faz um certo tempo, seguindo a vida. Eu me pego pensando que eu parei no tempo e que não sei qual caminho escolher pra seguir. É importante eu saber notícias de pessoas que um dia foram próximas porque eu percebo quanta besteira eu acumulo na memória, eu fico presa no passado achando que ele vai aparecer aqui no meu presente da mesma forma que um dia eu conheci. O pior de toda essa amarração à coisas bobas é que eu vivo dizendo pra mim mesma que eu amo as mudanças que ocorreram ao longo dos anos - e eu amo mesmo -, mas eu não consigo deixar pra lá e esquecer.
Hoje eu tentei escrever umas duas ou três vezes sobre o quanto eu queria ser diferente do que eu sou, como eu queria que as coisas fossem menos complicadas dentro e fora de mim, porque eu vivo achando que o meu mundo pode desabar a qualquer momento se eu perder o controle e tudo o que contraria o que sou me assusta ao me deixar fora da minha zona de conforto. É confuso e eu assumo porque a vida me fez assim, cheia de memórias que eu amo e quero apagar, desapegada à importâncias e presa à miudezas, inconstante procurando algo que eu consiga amar pra vida toda, cautelosa e descuidada, desacreditada e sonhadora.
O importante de tudo isso é que eu sei que ao longo desse tempo eu andei aprendendo muito coisa, inclusive deixar de lado alguns bloqueios que eu sempre carreguei. Eu aprendi que a vida pode proporcionar muitas coisas boas se a gente se permitir e que coisas boas nem sempre duram a vida toda mas, graças a memória que a gente insiste querer apagar, elas vivem pra sempre.

(Jenifer Alana dos Santos)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

[TEXTO] Sobre as mudanças que o mundo me impôs

Às vezes eu paro, olho em volta e sinto um vazio enorme, é quando eu sei que preciso escrever. O bom desse momento repentino é que sei que eu realmente estou escrevendo com meu coração totalmente aberto. É como se eu me partisse em mil pedaços pra juntar e tentar achar a solução desse quebra cabeças no final do texto.
Há uns anos eu era revoltada com a vida, hoje meu grau de tolerância sobre as imposições do mundo aumentou bastante. Tem horas que eu me orgulho tanto das coisas que conquistei, mas eu sinto esse vazio enorme que já citei, quando eu lembro dos sonhos que abdiquei no caminho. Quem me achava grossa antes adoraria ver o quão amorzinho eu me tornei. Eu mudei tanto e me adaptei tanto simplesmente por ouvir mais a opinião dos outros do que o meu coração, nesse processo eu perdi tempo, amigos, dinheiro e uma parte da minha personalidade - por isso tantos textos relembrando aquilo que fui um dia. E as poucas vezes que ouvi meu coração errei muitoi pra aprender.
O fato é que eu não me reconheço mais em grande parte dos dias; quando a moça do ônibus tem cabelo colorido mas eu não posso porque vou perder o emprego, quando eu lembro que faço uma faculdade por causa do salário que ela vai me render em vez de fazer aquilo que amo ganhando pouco, quando eu acordo e durmo pensando em largar o emprego mas eu lembro das contas pra pagar, quando eu recordo dos altos papos super reflexivos no recreio da escola e hoje me pego falando que não adianta de nada.
Eu perdi em poucos anos coisas das quais eu mais prezava, e isso faz parte do que sou agora, mas faz pouco tempo que consegui finalmente assumir isso porque em certos momentos a minha conformidade me incomoda. Eu lembro um pouco do que eu costumava ser quando eu escuto aquela música antiga ou realizo coisas que eu desejava naquela época.
É difícil assumir pra si mesmo que as coisas mudam dentro da gente, que alguns vazios aparecem do nada pra lembrar que ainda possuímos sonhos. Nesse processo de aceitar as mudanças eu achei que muitas coisas dentro de mim iam morrer, mas eu percebi que no fim das contas elas ainda estão bem vivas, só esperando o momento certo de despertar e fazer acontecer. Parte de amadurecer é isso, aceitar que alguns sonhos que desejávamos de imediato tem o tempo certo pra acontecer.

(Jenifer Alana dos Santos)

domingo, 8 de janeiro de 2017

[TEXTO] Acumulados de memórias

Demorei pra aceitar que as pessoas nos deixam memórias. É claro que ela lembra dos momentos que passou com você, não dá pra deletar as lembranças nem dos piores deles, assim ela escolheu manter os bons como prioridade. Você deve se lembrar daquela noite em que ela chorou nos seus braços e do dia em que ela finalmente riu de uma de suas piadas mais bobas, assim como ela lembra do dia em que partiu seu coração em pedaços que você jamais imaginava que teria.
Eu nunca entendi como nós conseguimos fazer planos sobre o futuro e no dia seguinte cuspir um na cara do outro coisas que não nos dizem respeito. Damos importância a meros detalhes em vez de cultivarmos o verdadeiro amor, engrandecemos o orgulho simplesmente para estarmos em paz com nosso próprio ego porém sempre em confusão com os desejos da nossa alma. Nos iludem com a fantasia de um romance perfeito onde demostrar afeto é sinal de fraqueza e choramos sozinhos a falta de pessoas reais ao nosso redor.
Essa coisa sobre as lembranças e sobre como de um dia pro outro alguém essencial em nossas vidas deixa de fazer falta, sempre me incomodou. Porque apesar de não sentir mais nada, nós sempre nos lembraremos dos muitos momentos em que estivemos felizes ao lado de pessoas que nos fizeram sorrir e chorar na mesma proporção.
É claro que eu lembro da minha melhor amiga de 7 anos atrás, eu também lembro do dia em que olhei meu primeiro amor nos olhos e quis dizer que eu o amava mas por saber que não seria recíproco eu escolhi guardar pra mim, eu lembro do meu primeiro beijo e como eu achei mágico, lembro do meu primeiro dia no emprego e como eu quis sair correndo, lembro de quando eu conheci meu ex e como mudamos ao longo do tempo. Somos todos um acumulado de memórias e eu me sinto muito feliz em saber que minha melhor amiga de 2010 está se amando mais e que meu primeiro amor ainda continua sonhando, apesar de achar uma lástima o nosso distanciamento. Hoje eu acho meu primeiro beijo uma droga e ainda quero correr quando chego todos os dias no trabalho. E sou grata por todos esses momentos que, por mais que às vezes eu implore pra deletar, fazem parte do que sou hoje.
Depois que eu aceitei que as pessoas nos deixam memórias eu voltei a me encontrar. Somos todos nós mesmos com pequenas doses de amor, afeto, rancor, tristeza, alegria e outros emaranhados de sentimentos que os amigos e amores nos regaram e cultivamos.

(Jenifer Alana dos Santos)