domingo, 11 de dezembro de 2016

[POEMA] Litoral

Tem o formato dos pingos da chuva na água do mar;
Tem os pingos da chuva na sua face quando você olha pro céu;
Tem a sensação da espuma das ondas se desfazendo na sua mão;
Tem os pés na areia molhada da chuva;
Tem o formato das folhas de uma determinada árvore;
Tem o canto de dois pássaros que voam juntos;
Tem o vento encostando na sua pele quando em alta velocidade;
Tem uma joaninha que encontra seu caminho pela janela aberta;
Tem o som das ondas do mar a noite;
Tem o som do silêncio numa chácara de madrugada;
Tem cafuné;
E você que me tem ou mal me quer?

(Jenifer Alana dos Santos)

[TEXTO] Sobre boatos

Ouvi dizer que seus sonhos se realizaram, que você finalmente se libertou das correntes que te aprisionaram e que agora você voa com as próprias asas. Eu me sinto tão feliz por estar feliz por você. 
Hoje eu vi aquele filme que você disse que adoraria assistir, me lembrei das risadas daquele nosso primeiro encontro de casal normal, passei pela sua rua e quase não reconheci sua casa porque você pintou o fachada se outra cor.
Me disseram que você entrou naquela faculdade que sempre quis e trancou a que só te prendia, você finalmente será tão extraordinário quanto era quando te conheci.  Eu me pergunto se eu te manchei com as minhas cores a ponto de você esquecer o que você era no início.
Coloquei aquela nossa música pra tocar, me lembro das vezes que dançamos enquanto ouvíamos... mesmo que não fôssemos bons nisso. Ao passar por aquela praça, me lembrei da primeira vez que você me beijou.
Eu ouvi dizer que você finalmente correu atrás daquilo que te fazia bem, ouvi dizer que depois de tanto bater em portas fechadas você finalmente encontrou em uma porta aberta o seu lugar no mundo. De tanto ouvir falar de você, um filme do passado passou por mim e eu me lembrei só das coisas boas que vivemos, eu fiquei feliz por nós dois separados porque certas vezes o amor é mais prisão do que união. Eu me sinto eu mesma aos poucos novamente, eu queria poder contar com você.
Eu só queria que você ouvisse dizer que eu voltei a acreditar nos meus sonhos, e que estou aos poucos colorindo a minha vida novamente na busca pelas chaves que um dia abrirão os portões da prisão onde eu mesma me tranquei e não lembro o caminho. Eu só queria que você ouvisse dizer que estou feliz por você e por mim também, mas que mesmo assim eu sinto sua falta.

(Jenifer Alana dos Santos)

sábado, 19 de novembro de 2016

[TEXTO] Bagagens, caminhada e você

Eu quero que você saiba que eu já andei muito antes de chegar até você, e que durante a caminhada eu ganhei uma bagagem que mesmo que pesada, não faz de mim alguém diferente do que eu era quando comecei a dar meus primeiros passos. Eu ainda gosto daquela música romântica que meu primeiro amor me mandou, ainda gosto daquele rock que me descrevia, mas hoje eu também escuto um pouquinho daquele sertanejo que me faz lembrar você e de um certo funk que marcou a primeira vez que eu dancei celebrando a minha liberdade.
Eu sou um infinito de "também", o que é difícil de assimilar pra algumas pessoas cheias de obsessão por rótulos. Eu sou aquela mulher que desce até o chão as 4h da madrugada na balada e também sou aquela que às 9h pega o ônibus meio morta de manhã. Eu sou doce, meiga, compreensiva e amável mas também sou grossa, estúpida, estressada e entediante. Eu vou fazer você me amar e me odiar por isso.
Eu quero que você saiba dessas coisas porque eu prefiro que você me julgue agora, enquanto ainda não me importo com a sua opinião. Porque eu provavelmente vou te falar coisas que você pode julgar mal mesmo que eu esteja pensando no seu bem. É fácil você amar minha sinceridade agora antes que eu a use com você.
Eu quero que você lembre bem da minha bagagem quando você se aborrecer com as minhas manias, porque mesmo sem te amar eu sei respeitar as suas. Eu quero que você compreenda os caminhos que trilhei e as coisas que vivi pra que a gente suporte caminhar junto. E por enquanto eu espero que a gente viva um dia de cada vez pra saber valorizar cada passo em direção ao arco-íris que enxerguei depois que encontrei você.
(Jenifer Alana dos Santos) @jenyyys

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

[TEXTO] Sentir sua falta

Eu não consigo dormir e eu sei que você também não consegue, a gente lembra bem das madrugadas que viramos conversando sobre absolutamente nada importante. Ainda é assim, não é? Seus monstros continuam embaixo da sua cama prontos pra te pegar assim que você fechar os olhos. Eu tenho mais monstros depois de você, porque eu vivo recordando as lembranças mesmo que eu não me importe mais com elas - você me ensinou a não me importar.
Eu me estraguei toda depois de você. Eu tingi o cabelo de preto, comecei a vestir cores mais sóbrias, deixei de lado a maquiagem e apaguei todo o brilho que demorei pra conquistar desde o último grande estrago que tive, tudo isso pra me adaptar as suas manias, pra te fazer feliz. Mas no fundo você sabe que a luz toda que eu irradiava era o que te atraía de verdade, quando eu me tornei exatamente aquilo que você julgava perfeito você me descartou por não me reconhecer mais.
Você se estragou todo depois de mim, começou a andar rápido como se sempre estivesse atrasado, ficou preso a pensamentos sem nexo em vez de focar no que realmente importa e se rendeu as coisas que mais te destroem. Você tinha medo de me perder e se perdeu, eu não tinha medo de te perder e te perdi.
Depois dessas reviravoltas você ainda me mandou um Oi madrugada passada só pra dizer que estava sem sono, como se eu não soubesse o motivo, como se eu não te conhecesse tão bem. Eu sei que a gente não se ama, mas a gente não consegue dormir. E às vezes o meu motivo de não conseguir dormir é porque existe um monstro novo pra me assombrar: sentir sua falta.

(Jenifer Alana dos Santos)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

[POEMA] Reflexos

Tomada por uma súbita loucura
Corre, olha-se no espelho
O sangue em suas veias borbulha
Vê-se as faíscas no olhar do reflexo

Quem a confronta? 
Não se reconhece mais
No confronto percebe
Seguir tanto em frente deixou-a para trás

As borboletas ainda mortas na parede
O coração ainda gélido
Os olhos nos olhos que não se encontram
Não imaginaria seu futuro tão fétido

Quem é esta imagem refletida - repete em pensamento
Perdeu a essência, a ânsia da busca pelos sonhos
Destruiu todas as pontes que lhe foram ofertadas
Agora a antiga sonhadora vive embaixo de escombros

Quem a confronta?
As lágrimas não caem mais
No confronto percebe que o sorriso que traz agora
É fruto da perda de seus ideais.

(Jenifer Alana dos Santos)

Ps.: acho que vou mandar pro concurso de poemas, que acham?



domingo, 4 de setembro de 2016

[TEXTO] Eu amei a última frase

Eu amo escrever, e eu queria conseguir escrever sobre felicidade de uma maneira que todos pudessem sentir o tamanho da alegria que flui pelo meu corpo fazendo com que eu sorria sozinha caminhando pela rua. Mas escrever sobre o sofrimento é tão mais fácil, porque o sofrimento é a maior parte em que vivemos, é onde podemos aprender as maiores e melhores lições.
Eu cheguei a me odiar por me deixar sofrer até o descontrole, até falar o que não devia... Mas também já me odiei por não ter dito as coisas que eu mais queria.
O fato é que num certo dia, uma jovem senhora alegre me desejou um bom dia e durante a noite ela infartou. Eu repensei minha vida toda com essa notícia, eu não dormi direito porque o que nós mais fazemos é desperdiçar a vida com coisas que não nos trazem felicidade. Nós pensamos longe, planejamos um futuro que pode não chegar abdicando de pequenos momentos de felicidade, esquecendo os sonhos e sufocando com palavras não ditas.
Eu digo tudo isso porque eu tenho preguiça na vida e não é todo mundo que entende. Depois do "acidente de carro" eu meio que levei um empurrão da vida, agora eu levei um chute. Eu tô vivendo. E sorrindo. E cantando nos sábados de manhã. E dançando sozinha. E o melhor de tudo é que pela primeira vez eu tô feliz comigo mesma e por mim mesma. Eu ainda não sei como escrever sobre felicidade, mas eu já sei o que é ser feliz.

(Jenifer Alana dos Santos)

domingo, 24 de julho de 2016

[TEXTO] 2.0

Passei o dia todo enrolando pra escrever sobre como eu me senti ao sentar na mesa pra almoçar com os meus pai hoje. Eu fiz 20 anos ontem e me sinto deslocada por causa do meu tamanho na cadeira, eu não sou mais uma criança, nem adolescente que precisa dos pais pra tudo e qualquer coisa. Eles não precisam mais trocar minhas fraldas, nem me levar a escola ou pagar minhas contas. Isso é extremamente desconfortável porque eu tô do tamanho deles e pela primeira vez eu me vi assim e pensei que eles não tem mais que ter responsabilidade por mim. Não que eu seja irresponsável ou que até os 19 eu precisasse, mas parece que agora eu tô mais perto da idade de sair de casa e viver minha vida sozinha, e quem dera o dinheiro desse ou que eu arriscasse mais.
Eu acordei hoje, escovei os dentes, tomei café, escovei os dente de novo, troque de roupa, prendi o cabelo, coloquei um óculos de sol e perguntei: "Mãe, quer alguma coisa? Vou no mercado." E isso pra mim foi o início da paranoia do almoço. Eu trabalho numa loja de móveis, eletrodomésticos, etc, e toda vez que eu entro lá eu fico babando nos sofás e armários e mesas de jantar e geladeiras... Eu nem olho os celulares e chapinhas e câmeras fotográficas. Eu vou no mercado e pesquiso os preços das verduras e já não tenho mais tanto estômago pros salgadinhos e bolachas recheadas. Eu fico louca quando vejo qualquer 'tapoer', ainda mais quando ela tem conjunto da mesma cor. Eu gosto de panos de prato e toda vez que eu vejo uma promoção de lençol eu tenho que avisar a minha mãe. Eu tô me sentindo velha.
E isso tudo não veio hoje, aos 20. Isso vem se acumulando desde o dia que meu pai me mandou escovar os dentes depois do almoço aos 12 anos, quando eu já sabia que eu tinha que fazer sem ninguém me ensinar, e eu me irritei. Vem desde o dia que eu atravessei a cidade andando sentindo a brisa da independência, Eu fui uma adolescente misturada com uma responsabilidade de adulta admirável. Isso vem desde a primeira série quando a professora perguntou se eu era repetente por causa do meu tamanho. Vem desde o dia que aos 13 anos minha melhor amiga tinhas uns 18 porque a minha cabeça era "madura demais".
Eu fiquei cansada durante um tempo de toda essa cobrança de responsabilidade que eu sempre tive e fiz muita bobeira, mas eu me contive demais também. Eu só sei que agora eu acho que porque minha mãe saiu de casa aos 18 eu tô um pouco atrasada, mas até que feliz. E espero não ser expulsa de casa, mas também espero que pra ir morar sozinha eu não precise ser. Meus pais não precisam mais cuidar de mim, eu to grande demais pra ter colo, continuo irritada e sozinha. Eu fiz 20 anos e a crise dos 20 que eu achei que não ia ter tá tomando conta de mim agora. Eu não quero ficar velha e quero sair de casa. E não sei nem como terminar o texto, desculpe escrever demais.

"Quero colo! Vou fugir de casa
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo, tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três"

(Jenifer Alana dos Santos)

domingo, 17 de julho de 2016

[TEXTO] Desacerto

Eu meio que me envolvi num acidente de carro ontem. 'Meio que' porque meu pai tava dirigindo e eu agradeci por um momento e no outro alguém bateu na traseira do carro. A vida é cheia desses outros momentos, cheia de desacertos.
Eu acordei de manhã e enrolei na cama porque eu imaginava que meu pai me levaria pro trabalho. Eu poderia ter dito não e ido de ônibus. Então eu me arrumei mais rápido do que de costume, sentei no sofá. Eu poderia ter demorado um pouco mais. Aí meu pai se arrumou rápido e tomou café rápido. Ele não precisava correr pra sair de casa. Então saímos. Foi quando minha mãe chamou e disse que meu pai tava esquecendo a carteira, isso atrasou um minuto. Isso poderia nos ter feito voltar. A gente foi conversando tranquilos pelo caminho.
E de repente aparece um pedestre, um motorista gentil para o carro na faixa. Meu pai está atrás dele e para a tempo. Mas alguém vem atrás e não se sabe o que acontece, mas não consegue parar. E a gente sente aquele 'tranco'.
O que eu quero dizer com tudo isso é que ás  vezes essas coisas acontecem. Mas muitas delas deixam de acontecer e nem ficamos sabendo. A maioria delas, na verdade. E agora eu sinto um aperto no coração que talvez seja um daqueles empurrões que a vida dá pra lembrar que talvez eu não passe de hoje, e por isso eu devo viver intensamente. Devemos...

(Jenifer Alana dos Santos)

sábado, 2 de julho de 2016

[TEXTO] Quase 20

Eu gosto de pensar que pessoas leves ainda existam. Que o amor de verdade ainda exista, apesar das minhas muitas maneiras de afastar pessoas e nunca me achar merecedora o suficiente. De vez em quando eu sou bem estourada, e reclamo da vida frequentemente, mas eu sei ser calma e boa - só não encontro pessoas realmente dignas disso. A minha calmaria é a melhor coisa que as pessoas podem ter de mim.
A vida é constantemente uma merda e aos quase 20 anos a gente se dá conta que só piora. Então a gente se despede das cartas não enviadas, das palavras não ditas e começa a querer falar tudo que tem vontade pra n se arrepender depois, esquecendo que tem coisas que realmente é melhor não falar nem engolir, mas deixar ir. Com quase 20 a gente aprende que temos que preparar o guarda-chuva quando já temos conhecimento de certas tempestades. Com quase 20 a gente aprende que nem metade da vida passou, nem metade das pessoas passaram.
Com quase 20 você se vê encurralado num quase nada que você se tornou, onde não há amigos de escola, nem amor pra vida toda, nem emprego que te faça feliz, nem certeza de qual o caminho que você quer seguir.
Por isso tudo que eu gosto de pensar que pessoas leves ainda existam e queiram passar por mim. Porque é o que me mantêm  a esperança. Esperança que ainda se têm aos quase 20. A única coisa verdadeira que se tem.

(Jenifer Alana dos Santos)

sábado, 11 de junho de 2016

[TEXTO] Coisas

Queria poder medir o quanto as coisas significam, porque as vezes num piscar de olhos tudo não significa mais nada. A coisas não importam mais, A coisas nem nome tem mais, são só coisas.
Eu sinto falta de escrever, sinto falta da profundidade com que eu conseguia despejar e inventar meus problemas nos textos. Mas eu me perdi. Eu não sei dizer se a gente muda ou se só perde a inspiração, ou se perdemos a vocação ou nunca a tivemos. Escrever um dia significou tudo pra mim, tanto que eu não sei medir, hoje, não importa mais. Eu não ligo mais.
Aliás, eu não ligo pra tanta coisa, mas pra outras que eu não deveria nem pensar eu ponho importância demais. Queria escolher as coisas que significam, Porque aí eu ia esquecer os momentos, a pessoa, as promessas, o cheiro, os lugares, as músicas, as roupas, o caminho, o beijo e tudo que ainda tem nome, porque não são só coisas.
Eu queria poder medir o quanto as coisas significam porque aí eu saberia o quanto as pessoas se enganam dizendo que se importam, já que pra elas são só coisas. Se a gente soubesse medir, a gente não se deixaria enganar, Porque no fim das coisas, a gente não liga pra mais nada importante, só para aquilo que nos faz machucar.

(Jenifer Alana dos Santos)

terça-feira, 22 de março de 2016

[TEXTO] Quando eu aprendi o que é leveza

De tempo em tempo a vida vai ensinando pra gente uma nova lição. Eu mudo a cada dia e assim quando olho pra trás tenho orgulho do que me tornei hoje, porque com o tempo eu aprendi que mágoa nenhuma se deve guardar já que o passado só serve pra nos ensinar a não repetir os mesmos erros e não deve pesar no presente. Eu vivo leve, eu não me importo mais com pequenas coisas, eu guardo o meu estresse pra quem merece, eu uso melhor o meu tempo, eu danço mais, sorrio mais e acabo por fim vivendo mais.
Eu sei que eu reclamo da vida o tempo inteiro, mas é ela que nos põe a prova o tempo todo pra nos ensinar algo novo. Não há nada que eu agradeça mais nessa vida do que sofrer, porque é assim que eu aprendo as coisas; chorar alivia sim, chorar esvazia. E eu sei de verdade que por mais que não seja prazeroso, todas as adversidades me fizeram o que sou hoje, me ensinaram a ser mais forte.
E é tão lindo eu me sentir leve, por mais que eu saiba que há sempre uma lição nova pra aprender e a qualquer momento o mundo pode desabar. Eu só espero estar preparada, repleta de sabedoria e alegria sabendo que é sempre pra frente que se anda e que a vida tá aí pra me ajudar.

(Jenifer Alana dos Santos)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

[TEXTO] Não conte

Entrei no mar e pensei em dizer tanta coisa que não falei mesmo eu sabendo que eu falei coisa até demais, risos. Perdoa a paranóia, eu sempre gostei de ser dramática e demorei pra entender que enquanto eu atuava você vivia o real. Ou não tão real assim.
Eu queria ter sentado com você num fim de tarde na areia sem me preocupar em sujar a roupa só pra gente ver o sol se pôr. Eu queria que a gente tivesse prestado mais atenção nas estrelas do que no medo. Queria que a gente tivesse sentado num banquinho de uma praça qualquer só pra eu deitar no teu colo. Queria que a gente tivesse feito um brigadeiro em vez de comprar um pronto, só pra sujar tudo e ver quem ia limpar depois.
Mas os planos se foram né? Aquela história de que o pra sempre sempre acaba. É quando eu volto pro meu drama e você pro seu, mesmo que a gente continue curando as feridas um do outro pra que no outro dia elas não doam tanto assim. E eu repito pra mim "não conte", sei que vou me arrepender

(Jenifer Alana dos Santos)

domingo, 10 de janeiro de 2016

[TEXTO] Mais um sobre estar no fundo do poço

Não vai parar de chover. A cada gota sente que vai transbordar, e não há alegria. Não sabe o que é. Não há verdade, nem respostas, só este buraco que insiste em incomodar querendo ser preenchido. E deu um jeito, preencheu. Preencheu de chuva, sem cor, sem cheiro e sem gosto para não se acostumar, para não errar de novo, para saciar uma sede do doce da vida temporariamente enquanto não encontra a dose certa, para não lembrar do perfume que agora está escondido na memória e para fazer com que o poço parasse de ficar mais fundo.
Ah, mas sabia que não funcionaria por muito tempo... não vai parar de chover, assim como não vai parar de ter sede, assim como não vai parar de errar e vai lembrar do perfume. No desespero, se afunda no poço, chega a última gota d'agua, transborda. Mas não  é de alegria. Não sabe mais nem o que é, o que se tornou. Afogou.

(Jenifer Alana Santos)