terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

[TEXTO] Pular, empurrar e ser empurrada

Estou nos limites do abismo. Se der um passo à frente, eu cairei ao dar um passo para trás.
Você veio e tirou a cor do meu batom, colocou brilho nos meus antigos olhos foscos, amaciou meu duro coração e te ver me dá náuseas, eu fico rindo à toa e acho que sei o que são borboletas no estômago. Eu me sinto uma garotinha saltitante. Quando eu acordo do seu lado o dia fica mais claro apesar das nuvens de chuva lá fora.
Mas o eu te amo ainda assusta, e viver assim não faz sentido. Se você der um passo à frente, eu prefiro pular.
Eu ainda tenho as cicatrizes que você insiste em ignorar. Se eu te contar a verdade, você vai implorar por uma mentira. Eu tenho mágoas veladas e medo. E se você der um passo à frente e eu ameaçar pular e você me segurar, eu só vou querer ir mais fundo e mais longe de você.
Eu não sei ser bonita e óbvia. Eu não sei andar de mãos dadas, nem abraçadinha e meu pessimismo é do tamanho do mundo. E eu só sei ser fofa quando uso ironias e diminutivos, porque ser verdadeira me deixa boba e aumentativos são sérios demais pras minhas gracinhas. E se mesmo assim você der um passo à frente, é capaz que eu te empurre em vez de me jogar...
"Veja como é lindo a sua cama com outro par, eu volto a ser menino, você não cansa de conversar."

(Jenifer Alana Santos)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

[TEXTO] Sobre consciência/vozeszinhas

Jurei umas dez mil vezes me esforçar pra não repetir os mesmos erros e cá estou eu refletindo sobre essa minha mania de não falar o que me dá na cabeça.
Recentemente, movida por minha auto crítica resolvi desabafar palavras guardadas - mas quem disse que enviei? De certa forma, houve um alívio, mas aquela vozinha chata fica me lembrando todo dia que eu só vou me livrar quando contar. O problema é que a vozinha não entende que eu tô com preguiça, e que dizer gera perguntas que eu não tenho ânimo pra responder.
A vozinha quer tanto agitar a minha vida que me fez dizer algumas coisas sem nem pensar. O que, adivinha, gerou perguntas, discussões etc etc etc. Tudo pra tirar o meu sossego. Mas até que eu gostei, porque me fez sorrir um pouquinho - e tô esperando o meu muitão.
Às vezes eu me pergunto o que a Tati ia pensar da minha evolução de textos, e se ela poderia me ajudar a saber o que faço, já que agora ela é quase uma mulher resolvida. E se ela diria essas coisas trancadas a sete chaves.
Bom, vozinha, tô esperando meu muitão e minhas respostas, já que você só ta ajudando a atrapalhar. Por favor, não me venha de conversa fiada se não for importante porque to cansada de perder tempo e esteja bem resolvida pra me convencer.

(Jenifer Alana Santos)

sábado, 14 de fevereiro de 2015

[TEXTO] Sobre fila de banco, sol e pessimismo

Acordei, linda maravilhosa de bom humor, mesmo tendo centenas de coisas pra resolver. Um daqueles dias que você acorda vendo o mundo mais colorido e esquece um pouquinho do pessimismo habitual. No fim do dia você só fica se perguntando porque resolveu sair de casa. Sim, o dia vira do avesso.
Você enche a cara de maquiagem, porque quer estar mais linda num dia bom. Você planeja seus horários como um plano infalível. Você esquece que o bendito do universo nunca está a seu favor e PUF.
Pleno dia 10, as filas de banco estão enoooooormes. É fevereiro, o sol parece atravessar todas as camadas da sua pele. Verão, e cai uma chuvinha que não refresca, mas consegue deixar seu cabelo com mais frizz que todas as pessoas no banco juntas.
E no final das contas, você volta pra casa igual uma gata borralheira, toda desmontada, sem resolver porra nenhuma. Essa vida é maravilhosa, não é? Quanto mais a gente se esforça, mais a gente apanha, quanto maior a felicidade, maior a decepção. E o estresse foi tanto que o texto não tem fim. E nem faz sentido.

(Jenifer Alana dos Santos)

sábado, 7 de fevereiro de 2015

[TEXTO] Esperando um arco íris

Três da manhã. A lua parece maior que o normal. E há uma inquietante vontade de sair sem rumo. Os segundos e minutos parecem demorar séculos pra passar, mais perdida do que nunca nesse labirinto. Um filme passa em sua cabeça, revive, quer afogar o passado, quer afogar-se no intuito de escapar do labirinto.
Em meio o som dos pássaros que já acordam, após sua frustrada tentativa de adormecer, flutua ao desistir do afogamento. Não é necessário fugir daquilo que desmorona com o tempo. As lembranças morrem, o amor acaba, a vingança vem sozinha, repetimos os mesmos erros, mudamos de acordo com a necessidade, as luzes que apagam acendem novamente, o coração bate aliviado e os textos não fazem sentido.
Finalmente, após tanto lutar para esquecer, o alívio vem. A voz vai embora, a curvatura da mandíbula é esquecida na deformidade, a conversa não dura e o sol chega, embora saiba que chove em outro lugar.

(Jenifer Alana dos Santos)