domingo, 21 de dezembro de 2014

[TEXTO] Delírio de Verão

Uma borboleta ta aqui me rondando. Eu não gosto de borboletas por um motivo que ainda não descobri. Nem de mariposas ou besouros. E de calor e gente que acha que tenho que ser qualquer coisa, menos eu mesma.
Esses dias são assim, cheios de vazio. Nada além das cigarras cantando e dos cigarros faltando.
Eu arrumei minha caixa ontem, achei tanta coisa pra quem viveu tão pouco. Lembranças das mais insignificantes até as mais importantes. Algumas que fazem rir e as que só trazem tristeza decidi nem ler.
Irônico é que alguém "importante" não se encaixou na primeira descrição e não achei mais nada que me fizesse lembrar além de mágoa, decepção e lágrimas.
Eu sou uma borboleta procurando as minhas asas, ou talvez eu seja uma mariposa só guardando poeira e atrás de uma luz que mais queima do que aquece. Mas quem sabe só seja o calor me fazendo delirar sobre ainda não entender porque eu perco meu tempo respondendo perguntas que não levam a nada. Nada disso me leva à lugar algum.

domingo, 7 de dezembro de 2014

[TEXTO] Fofinho

Despertei ao seu lado querendo voltar pro sonho. Mal me vi adormecer enquanto você resmungava qualquer coisa inútil que pra mim tanto faz mas mesmo assim finjo que me importo. Eu realmente não me importo, mas você não é normal e sabemos disso. Você deve até saber o quanto sou dissimulada e manipuladora, mas ainda finge que sou ingênua e que vou estar do seu lado pra sempre. Talvez seja por isso que você não me larga e eu não te afasto.
Um amor lindinho, daqueles fingidinhos onde todo mundo acha que se completam. A gente sabe que não, mas finge que talvez (e espera pelo sim, lá no fundo). Tudo isso por medo de amar.
Você não sorria enquanto dormia e eu me perguntei onde tava toda a magia de acordar do lado de alguém como a gente vê nos filmes. Eu tive vontade de rir alto porque era eu pensando em como mesmo assim você tava bonitinho respirando fundo. E depois quis rir mais ainda quando parei de pensar porque você poderia estar lendo minha mente. Paranóia.
Eu quis te acordar, mas você não me deixaria ir (e talvez eu não quisesse), mas o tempo corre rapidinho e eu to sempre atrasadinha e você dormia tão tranquilinho que me senti apaixonadinha por um tempinho. Só que essas coisas em mim são como febre, passa. Mas você não liga.
E no fundo eu sei que não te acordei porque tava estressada e você só ia me encher o saco com aquelas frasezinhas montadas que você sabe que eu odeio mas fala por falta de assunto.
Aí eu saí. Bati a porta com toda força do mundo pra você acordar e desci correndo feito uma criança as escadas do prédio. Eu adoro brincar com você, rir de você e ouvir você falar achando que tô prestando atenção. Só que eu não sou menininha e não vivo de diminutivo. No fundo a gente não é nadinha, mas eu ainda gosto um pouquinho de você.

(Jenifer Alana Santos)