terça-feira, 30 de setembro de 2014

[TEXTO] Refletir a inexistência

Uma das dores mais doces vindas de um pensamento um tanto quanto noturno e paranóico: a inexistência. Quando se olha no espelho e ao sorrir não é capaz de reconhecer a si mesmo. Questiona-se: seria eu ou alguém dentro do espelho?
Se ao refletir-se encontrasse as respostas a que tanto venera, talvez não tivesse caído no sono vislumbrando mais uma vez a história da maneira que desejou, repetiu como um mantra a si que o passado não volta, e as oportunidades passaram como brisa quente numa tarde fria enquanto se escondia do mundo a que tinha medo.
Ah se, ao refletir-se encontrasse o que perdeu e lhe faz tanto falta. Ah se soubesse o que seria isso. Sonhou mais uma vez que fugia da vida que lhe rasgou milhares de vezes e o recompôs no dia seguinte, mas qual a maneira real para correr daquilo que te persegue e não enxerga? Se ao menos as perguntas parassem de persegui-lo (também).
Talvez encontrar-se-ia se ao menos uma vez procurasse a si em vez perseguir a vida dizendo que ela o persegue. Sabe em seu sono profundo que busca respostas e vida porque não sabe o que é viver de verdade e sabe que as respostas que quer são por pura vaidade.