sexta-feira, 22 de agosto de 2014

[TEXTO] Sobre procrastinação e poesia

Andei queimando neurônios pra tentar escrever um poema, faz tanto tempo que tento que o poema já até perdeu sentido. Então fiquei me perguntando como consegui escrever algo que não gosto de maneira tão profunda há um ano. Eu já fui mais poética e profunda, é pra rir né? Teria eu mudado tanto assim em tão pouco tempo? Acho paranóia. Aliás, paranóica nunca deixei de ser. E dramática também.
Faz 3 dias que to me deprimindo porque fiquei doente e minhas ideias fantasiosas não fazem sentido algum. Eu deveria começar a escrever meu livro de novo, estar postando no meu futuro famoso blog, procurando divulgação, escrevendo regularmente no diário que baixei no celular com a desculpa de "facilitar a vida" já que "to sempre mexendo", quando na verdade eu sei muito bem que é pura preguiça de escrever no papel, fazendo caminhada ou algum exercício físico já que engordei e vivendo ao máximo a nova vida que eu aceitei. Mas todo mundo sabe que ficar deitada vendo filmes e séries enquanto come qualquer doce é muito mais fácil. E deprimente, é claro.
Até a vida do meu gato tá mais interessante que a minha, convenhamos. E até minha mãe já disse que vou ficar pálida de tanto que fico em casa. Eu fiz 18 anos e a vida fez com que eu me sentisse com 60, tempo livre e disposição zero. Os colegas de escola estão casando e tendo filhos, e eu to escrevendo um texto pra me enganar como se fosse fazer grande coisa.
Ai vida, o que eu quero? Eu quero é fugir. Mas por enquanto, o jeito é escrever mais um verso.

Jenifer Alana dos Santos.

domingo, 3 de agosto de 2014

[TEXTO] 52748 versão de "E o coração? Bate?"

Silêncio. E o peito dói. A lágrima contida inunda. Sufoca. E a respiração? O coração ainda bate?
Silêncio. Sente o corte. Aprofunda a foice. E o tempo. Cicatriza? Cultiva a ferida aberta. Lembranças. Suas? Próprias? Memória.
Silêncio. Esquecimento. E a respiração? Para. E o coração? Voa. Ou bate? Bate a sua porta. E você? Abre?
Barulho. Farta de incertezas. Alimentada por incertezas. E a ferida? Arde. E o coração bate. E a foice? É você ou ela mesma?
E a borboleta? Voa? E a mariposa? Bate as asas? E seu coração? Ainda bate? E a vida? Ainda vale a pena? E a dor? Quem é que sente e com quem dividir?
Silêncio. Um texto. Quem lê? Morta. Mas o coração... bate. E sente a respiração. E a ferida? Cicatriza. Ávida, retira a casca. Abre. Sangra? Se importa? Se sente viva assim?
Silêncio. Solidão. E a respiração? Ainda ouve. E o coração bate... Por quanto tempo? E insiste. E tenta. E vive? E chora. E seca.
Silêncio. E o tempo passa. E o espelho? O que é que diz? E a vida? Sente? E o coração... descansa.